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domingo, 26 de dezembro de 2010


Mesmo assim ainda há muitos portugueses que gostam!

Não vale a pena continuar a dizer que Portugal vive uma situação económica e financeira muito complicada. Todos sabemos que o futuro do nosso país não é risonho. Levamos uma década de estagnação económica. Temos pela frente uma outra década ainda mais difícil com uma significativa perda de qualidade de vida para os portugueses. Portugal não tem recursos para manter o actual Estado social. E Portugal não pode continuar-se a endividar nos mercados internacionais para colmatar as suas deficiências estruturais. Para mais, a sobrevivência do euro é duvidosa. Estamos pois numa encruzilhada sem resposta fácil.

O que não pode deixar de nos surpreender é que, estando metidos num buracão tão grande, o estilo de governação não mudou mesmo nada. Os milagres da propaganda tapam a falta de conteúdo, as reformas estruturais estão supostamente todas feitas, a pseudo-determinação do primeiro-ministro não resolve problema absolutamente nenhum. O Governo não tem nenhum plano ou programa. Anda a reboque dos mercados financeiros e de Bruxelas, navegando à vista, sem capacidade de execução. Foi assim todo o ano de 2010. Vai ser assim em 2011.

Com ou sem FMI, o Governo tem mesmo que reduzir o défice. Ao mesmo tempo tem um grave problema de incapacidade de execução orçamental sem o habitual recurso a receitas extraordinárias. O Governo evidentemente não tem nenhum plano estrutural para aumentar a eficácia da administração pública e racionalizar a despesa pública porque os PRACE, Simplex, Plano Tecnológico e semelhantes simplesmente fracassaram.
Logo o Governo vai ter que se agarrar ao óbvio: mudar alguma coisa na legislação laboral porque assim exige a Europa, uma redução de pensões e prestações sociais ainda mais significativa do que a já anunciada, maior redução do investimento público, maior redução dos salários da Função Pública, e privatizações ao desbarato. E aumento da carga fiscal, principalmente impostos indirectos. Mesmo assim ainda há muitos portugueses que gostam!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A partidocracia



A partidocracia que governou Portugal nos últimos 35 anos , e que nos levou ao buracão em que estamos metidos, tem os mais básicos instintos de sobrevivência. É para todos evidente (menos para os mesmo de sempre) que a grave situação económica e social vai desafiar os fundamentos mais básicos do regime. Não se trata de duvidar da democracia ou de regressar ao autoritarismo do Estado Novo mas o regime actual político é apenas umas das muitas formas de democracia que podemos ter. E esta forma de partidocracia semi-presidencial feita à medida está esgotada. Fracassou. Não soube aproveitar as oportunidades históricas que teve, desbaratou os recursos disponíveis, vendeu ilusões e propaganda, criou um pântano imenso em que andamos atolados desde a década de 90, e agora apenas pode oferecer estagnação económica para, pelo menos, outra década.
Para sobreviver, o regime procura encontrar culpados, um puro bode expiatório que salve a elite governante da década muito dura que Portugal tem pela sua frente.
Por mais responsabilidades e culpas que tenha o actual primeiro-ministro (e são imensas) no desastre económico e financeiro, na ausência de reformas estruturais, na manutenção do corporativismo que infesta o Estado português, nas ligações perigosas e perversas entre o mundo político e o mundo empresarial, Portugal só pode em sonhar sair do buracão em que está metido depois de uma profunda reforma do regime político e uma importante regeneração da nomenclatura partidária.


Tal como referi na última crónica foi aprovado em Assembleia Municipal as Grandes Opções do Plano e Orçamento do Município de Estremoz para 2011.
Numa análise rápida chamou-me à atenção a componente da Receita prevista que apresenta um valor global estimado de € 27 Milhões.
Depois de olhar em pormenor encontro 2 rubricas que me intrigam, tanto pela natureza como pelo montante envolvido: Venda de Terrenos e Rendas, que no seu conjunto perfazem um total de€ 8,2 Milhões.
Que Terrenos irá o Município vender e que Rendas irá cobrar num montante tão elevado?
Ou serão apenas verbas inscritas para poder aumentar a Despesa Orçamentada e inflacionar um Orçamento que na realidade não deveria ultrapassar os € 18 Milhões?
Continuar a apostar numa política de endividamento descontrolado, trará num futuro próximo consequências graves para o Município, e espanta-me que nem a preocupante situação económica do Pais, demova os dirigentes políticos locais de continuar a insistir num modelo que caminha rapidamente para um final pouco feliz.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O buraco


Portugal está metido num grande buraco. Ou melhor, em dois buracos; Um é economicamente conjuntural, o outro é estrutural.
Conjunturalmente trata-se de um problema de financiamento. Devemos muito dinheiro aos financiadores estrangeiros. Necessitamos que o exterior continue a financiar-nos para que os portugueses possam comer. Hoje em dia pedimos dinheiro emprestado para manter a máquina. Para pagar os ordenados, as pensões e os subsídios. Se a torneira fechar passamos todos um mau bocado. Por isso neste momento, temos de acatar as orientações que nos impõem, pois caso contrário, o país pára. Com FMI ou sem FMI as receitas para fugir deste sufoco, são as mesmas; Consumir e Endividar menos, Produzir e Poupar mais, são regras necessárias para fugir do precipício.
Mas nem o Orçamento de 2011, nem o FMI vão resolver o buraco estrutural. A economia portuguesa estará, no melhor cenário possível, estagnada até 2020. Andam por aí umas almas a falar que estaremos já em recuperação em 2012 ou 2013. Mentem. Não é optimismo, é mentira pura e dura. Portugal só pode sair do buraco estrutural depois de mudar muita coisa na economia e na sociedade. Mas sejamos sinceros. Sócrates não fez as reformas que a economia portuguesa exigia porque os portugueses, na sua ampla maioria, não querem mudar nada. O pouco que se tentou fazer na educação, na saúde, na justiça ou na administração pública foi recusado pelos portugueses, foi criticado de forma irresponsável e demagógica.
Se os partidos políticos fossem realmente sérios, se o actual regime democrático não estivesse totalmente capturado e dominado pelos interesses corporativos instalados, se a comunicação social fosse realmente crítica e fizesse o trabalho de casa, se a sociedade civil existisse e fosse activa, nas próximas eleições legislativas teríamos os candidatos a primeiro-ministro, não a fazer promessas inúteis, mas sim a responder a problemas concretos: Quantos ministérios e direcções gerais vão ser extintas? Quando vamos extinguir os governos civis? Quantos funcionários públicos vão ser afastados? Quantos institutos públicos, fundações e empresas públicas vão ser encerradas? Quantos municípios vão ser fundidos? Quantas freguesias vão ser eliminadas?


A Assembleia Municipal de Estremoz vai aprovar na próxima semana um documento de importância fundamental para a gestão dos destinos do Concelho: As Grandes Opções do Plano e Orçamento do Município para 2011.
Espero que os responsáveis políticos locais, entendam o momento em que vivemos e aprovem um documento realista e verdadeiro, em que as receitas previstas sejam realmente cobradas e em que as despesas orçamentadas sejam efectivamente pagas, pois de outra forma estarão a enganar os munícipes, a endividar o Município e a hipotecar o futuro do concelho, esperando, quem sabe, que um dia, um qualquer “FMI” nos venha “ salvar “.
Nas próximas edições irei dedicar-me à análise detalhada deste Documento entretanto aprovado.

O endividamento das autarquias

O endividamento das autarquias, na sua forma mais simples, corresponde à diferença entre a soma dos passivos e a soma dos activos afectos. Assim, quando falamos de endividamento, falamos de um conjunto de valores devidos por cada Câmara Municipal que não está coberto pelos activos.
No entanto as causas do endividamento vão além da simples diferença entre passivos e activos. Encontram-se, estruturalmente, nas razões socioeconómicas que levam a que os valores gastos na despesa sejam superiores às receitas
. Os principais determinantes do endividamento municipal são:
- As obrigações passadas (como nas famílias, “endividamento gera endividamento”),e gera-se uma bola de neve que cresce de orçamento para orçamento.
- Os fracos índices de independência (algumas autarquias dependem exclusivamente das transferências do poder central, não tendo nenhuma independência financeira )
- A baixa liquidez (fracos rácios de activos financeiros sobre passivos financeiros),
- O elevado peso de determinadas rubricas geradoras de compromissos a longo prazo (logo, estimuladoras de endividamento), como as rubricas como as remunerações do pessoal e de subsídios a instituições.
- O reduzido valor acrescentado bruto da região envolvente (o que dificulta a independência financeira da autarquia),
- A reduzida densidade populacional (o que restringe a captação de receitas)
- E a baixa relação entre as receitas da autarquia e os orçamentos elaborados, gerando-se então défices encapotados que geram mais endividamento, muitas das vezes suportado pelos fornecedores do município.
As consequências do endividamento municipal são imperceptíveis no curto prazo junto dos respectivos munícipes. Na pior das hipóteses, uma autarquia saneada obriga os munícipes do resto do país a financiar os seus desequilíbrios locais através de dotações específicas que vão onerar o Orçamento de Estado. Daí, uma certa irresponsabilidade com que alguns executivos autárquicos gerem as contas das autarquias.
Soluções sugeridas passariam pela responsabilização civil (e criminal) dos detentores de funções autárquicas e por um papel mais acentuado do Tribunal de Contas nos vistos anuais às Contas das autarquias.
O endividamento pernicioso impede o bom investimento. A autarquia endividada, que se endividou para pagar festas, banquetes e foguetes, subsidiar tudo aquilo que lhe pedem, e comprar tudo o que lhe oferecem, pode não ter as disponibilidades financeiras necessárias para fazer face a projectos indispensáveis no futuro.
Como sempre, o preço das más escolhas é não ficarmos com as boas opções.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Enfrentando a realidade





A história é simples de contar e de compreender. Portugal chegou à Europa em 1986 com um atraso estrutural, muitos problemas económicos e sociais por resolver, e uma baixa produtividade. Para superar estas sérias deficiências, a Europa mandou umas ajudas muito generosas. Infelizmente, todos esses avultados recursos foram essencialmente consumidos, e só em muito menor medida investidos e utilizados na recuperação do atraso estrutural. O nível de vida dos portugueses melhorou, mas não a sua produtividade. Os portugueses gostaram tanto que votaram em quem lhes prometeu dinheiro fácil e um nível de vida de país rico.
Quando os fundos europeus deixaram de ser suficientes para financiar uma economia profundamente estagnada, de baixa produtividade, mas com um nível de vida de país rico, Portugal descobriu o endividamento externo. Beneficiando do euro e das taxas de juro muito baixas, os portugueses, as empresas, e o Estado tudo financiaram com o dinheiro dos outros. Quando rebentou a crise financeira, Portugal encontrava-se na delicada posição de ter passado uma década economicamente estagnada mas generosamente financiado pelos mercados financeiros internacionais. Uma década em que os portugueses votaram alegremente em quem lhes disse que o endividamento externo nunca seria um problema.
Agora com as taxas de juro muito mais altas e sem ter feito nenhum esforço na recuperação do atraso estrutural desde 1986, Portugal encontra-se no abismo de uma economia estagnada e fortemente endividada, num processo de empobrecimento relativo. Uma crise económica e social mais grave que qualquer experiência dos últimos trinta anos.
A responsabilidade de Sócrates tem limites. Ele herdou uma bola de neve produzida pelo populismo dos seus antecessores, nomeadamente Cavaco e Guterres. Ele foi possivelmente o primeiro-ministro que mais fez para travar essa bola de neve, mas o que fez foi insuficiente, e depois perdeu-se nas loucuras eleitoralistas
E agora? Como e quando sairemos do buraco onde estamos metidos? Sinceramente acho que não vamos sair nos próximos dez anos. A década de 2010-2020 será de baixa produtividade, sem o generoso financiamento externo, portanto com uma grave redução do nível de vida dos portugueses. Esperam-nos anos muito duros.
Se os portugueses aprenderam a lição, nas próximas eleições esperam-se políticos com coragem, que digam a verdade, que saibam esclarecer que os próximos dez anos vão ser maus, e o que está em causa é fazer aquilo que não se fez em vinte anos para que a próxima geração possa viver melhor. Se o PS e o PSD voltarem com o discurso eleitoralista, das falsas promessas, das soluções milagrosas que acabam com a crise em 2013 ou 2014, e se os portugueses voltarem a votar nisso, então muito dificilmente teremos um futuro para oferecer aos nossos filhos. Não vale culpar os políticos por tudo o que corre mal. Eles apenas dizem o que os portugueses querem ouvir.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O Centenário da República




Comemora-se este mês o centenário da proclamação da República em Portugal
E nada como uma comparação entre o Portugal de 1910 e o Portugal de 2010 para nos ajudar a perceber de onde vimos, onde estamos e para onde vamos.
O Portugal do início do século XX era um país à procura de si próprio: as crises sucediam-se; o Brasil tinha sido perdido em 1822, havia quase cem anos, as lutas liberais tinham trazido, na segunda metade do século anterior, a alternância de poder e alguma prosperidade.
Na Europa vivia-se um longo período de paz; desde 1870 que não havia grandes conflitos, e, como Eça de Queirós já tinha comentado anos antes, "podia viajar-se tranquilamente de Lisboa a Moscovo com um simples passaporte". O reinado do carvão estava no seu auge. Carvão que tinha sido responsável pela revolução industrial, mas tinha permitido também o aparecimento de uma nova classe, os proletários, com os conflitos inerentes a uma condição social precária. Adensavam-se já sobre a Europa as nuvens negras que em breve levariam a um conflito generalizado.
Em 1910, Portugal era um país rural e essencialmente agrícola; 78% da população era analfabeta. A maioria das casas não tinha saneamento, nem electricidade, nem sequer casa de banho. O automóvel era uma raridade. A natalidade era elevada, a mortalidade infantil também. As aldeias portuguesas produziam os bens alimentares que o país consumia, mas as importações (sobretudo de bens manufacturados) já superavam as exportações.
Nos 100 anos da República o reinado do carvão deu lugar, progressivamente, ao reinado do petróleo, o mundo transformou-se, surgiu a globalização. O século da República viu multiplicar por quatro a população mundial. Na verdade foi apenas o tempo de um "flash" na história do homem. A televisão, o automóvel, o avião e o turismo e, mais recentemente, a Internet, fizeram do planeta uma "aldeia global".
Portugal perdeu a África, democratizou-se, integrou-se na Europa. Acompanhou o progresso, e alterou a sua forma de viver, passou para o clube dos ricos. Em Portugal temos hoje um Estado Social, ensino gratuito e generalizado, acesso aos cuidados de saúde. A electricidade trouxe o conforto aos nossos lares, e libertou a mulher para o trabalho fora do lar. As pessoas estão protegidas no desemprego e na reforma. E até os mais carenciados não precisam de estender a mão à caridade pois o Estado garante-lhes o sustento.
Mas ao terminar o século da República o mundo começa a perceber que o planeta tem limites, que os recursos são escassos, e que estamos perigosamente a chegar à linha de fronteira, onde se advinha o fim da estrada. E é quando, paradoxalmente, nos pedem para acelerar, em vez de parar e esperar. Trinta e seis anos de democracia não nos podem trazer apenas liberdade de expressão e uma enorme manifestação de dualidade de critérios e irresponsabilidade nas decisões mais importantes para o futuro do País… Sem estratégia nenhuma sobre que sectores devemos ou não apostar e desenvolver.
Por exemplo, os noruegueses e suecos não necessitam de ter linhas TGV, milhares de quilómetros de auto-estradas, luxuosos estádios de futebol, “euros”, políticos e gestores públicos a deslocarem-se em carros de luxo, etc., para serem porventura as melhores e mais justas sociedades europeias, com os salários mais altos do velho continente… E no caso Norueguês nem tão pouco precisa de integrar a Comunidade Europeia.
Naturalmente à nossa pobre democracia faltam práticas fundamentais e uma classe dominante culta, tecnicamente evoluída e actualizada, desprendida de determinados bens materiais e, acima de tudo, educada e com vocação de serviço público. Não é possível fazer uma reforma da Administração Pública na sua base se as cúpulas não forem exemplares e capazes de bons exemplos.
Vamos entrar no segundo século da República, e tudo parece indicar que acaba um ciclo e vai começar outro. Os sinais de que algo está a mudar já são bem evidentes. Alguns já dizem que nós viemos do pior para o melhor, mas que os nossos filhos e os nossos netos irão do melhor para o pior!
Não sabemos é se as pessoas são hoje mais felizes do que eram há cem anos, e é pena não termos esse indicador. Para perceber se valeu a pena. Pois no fundo o que todos queremos é ser felizes.

P.S. -Terminei a minha colaboração no Município de Estremoz onde nos últimos 5 anos prestei serviços de Consultoria de Gestão. Foi uma experiencia enriquecedora e gratificante que termina com um sentido de dever cumprido. Quero aproveitar esta coluna para agradecer toda a amizade e colaboração que senti por parte dos funcionários municipais e desejar-lhes as maiores felicidades pessoais e profissionais.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Brincar com o fogo



Tudo corre mal pelas nossas terras, ao que parece. Ele é a despesa pública que cresce, quando todos juraríamos que tinha havido um compromisso em sentido contrário.
Ele é o desemprego que assusta e vai aumentando a olhos vistos, enquanto se discute se há décimas a mais ou décimas a menos e quais as estatísticas mais fiáveis. Eles são os partidos que não se entendem sobre os planos, os orçamentos, a revisão constitucional, as deduções fiscais, etc.
Ele é a justiça - ou, sobretudo, a falta dela -, as controvérsias da Casa Pia e esse sentimento difuso de que as coisas dos tribunais nunca têm propriamente um fim ou, quando muito, só o têm quando a prescrição bate à porta. Ele é o futebol nacional e as inenarráveis peripécias que este final de Verão nos trouxe. A lista seria interminável, como facilmente se poderá comprovar ao folhear um jornal ou ao ouvir as notícias na rádio ou na televisão que, dia após dia, nos empurram para um exercício de autoflagelação.
Há, claro, os incorrigíveis optimistas, com o Governo à cabeça. (ou parte dele, já que alguns dos seus membros terão entretanto cessado as respectivas funções sem que disso tenha sido dado pública conta).
A evolução das contas públicas nos primeiros sete meses deste ano revela-se hoje ainda mais preocupante do que no dia em que foi divulgada, em meados de Agosto. Hoje sabemos que, no conjunto dos países mais frágeis da Zona Euro, Portugal é o único que não está a conseguir controlar o défice público. Um facto que já está a aparecer nas análises dos economistas dos bancos, com os inevitáveis alertas sobre os riscos elevados de emprestar dinheiro ao Estado português.
É incompreensível, a subida de 5,7% na despesa corrente do Estado, excluindo os juros da dívida durante os primeiros sete meses deste ano. Em 2009, ano da recessão e de eleições, o mesmo tipo de gastos aumentou apenas 4,1%. O que se está a passar tem de ser desvendado. Não queremos acreditar que, após a crise que quase levou a Grécia ao colapso, o governo português tenha fingido adoptar medidas de austeridade para o Estado, quando, na realidade, apenas aumentou os impostos a todos os portugueses. É de uma enorme irresponsabilidade se o Governo apostou na passagem do tempo como o caminho para ultrapassar a pressão financeira dos mercados.
Países pequenos e endividados como Portugal, no tipo de crise de excesso de dívida como é a que vivemos no mundo, está sob uma perigosíssima ameaça. A qualquer momento, a mão do investidor que empresta pode transformar-se na mão de um algoz que nos atira para o colapso financeiro como aconteceu com os gregos. A tempestade financeira aparece sem avisar, como uma "gota que faz transbordar o copo" e com razões em geral tão difíceis de descortinar como a recente subida acentuada das taxas de juro da dívida portuguesa.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A Economia Portuguesa tem 3 graves problemas


Regressados de férias , retomamos os temas que são a finalidade deste Economês Descomplicado.
Gostaria de vos trazer boas novas , mas infelismente , não posso , pois não me querendo incluir na categoria dos Pessimistas , tambem não posso partilhar a visão dos Optimistas ( Em numero cada vez menor , diga-se de passagem ) , preferindo posicionar-me do lado dos Realistas.
A Economia Portuguesa tem 3 graves problemas , a saber :
1º – Défice das Finanças Publicas
2º – Endividamento Externo Galopante
3º – Baixissimo Crescimento Económico
Portugal tem um problema grave de finanças públicas. Depois da maior crise de que há memória, e das medidas para a contrariar, ficámos com um défice insuportável que o actual plano de austeridade vai procurar corrigir. Os sacrifícios vão ser enormes. Mas já se sabe que, a seguir ao défice, vem a dívida acumulada, com números de arrepiar. O que só pode traduzir-se por sacrifícios adicionais - sabe-se lá até quando!
Portugal tem outro problema grave de endividamento externo. Fruto de uma atitude suicida que percorreu vários governos, fomo-nos habituando a gastar o que tínhamos e o que não tínhamos até descambarmos neste inferno: já devemos mais do que a nossa própria produção! Mas nem assim arrepiámos caminho.
Portugal tem um terceiro problema, o mais grave de todos, ligado à anemia económica e à falta de emprego. A última década foi de uma extrema crueldade: crescemos a um ritmo anual inferior a 1%, quando precisávamos de três vezes mais; afundámo-nos em produtividade e em competitividade externa; e a taxa de desemprego pulou de uns confortáveis 4% para mais de 10%. Ou seja, o Estado social faliu.
Há dez milhões de portugueses que têm uma solução para a crise em que vivemos e, de entre eles, umas tantas dezenas dizem-no e escrevem-no todos os dias: a solução está no crescimento económico. Houvesse crescimento económico e tudo estaria bem - os salários e o emprego, os subsídios e as pensões, os défices e as dívidas, a educação e a justiça, a saúde e o bem-estar. Se sabemos isso tudo, por que não fazemos nada?
É este o nosso mundo. Um mundo de paradoxos. O endividamento louco a que chegáramos, e que os credores nos obrigaram a travar, não nos deixava alternativa: precisávamos de um plano de austeridade duríssimo, em que os sacrificados só poderiam ser o consumo e o investimento. Até aqui, tudo bem. Mas sucede que são estes cortes no consumo e no investimento que, ao travarem a procura interna, hoje nos impedem de crescer. Como é que se sai disto?
Aqueles que escamotearam o peso da DIVIDA EXTERNA e a gravidade do DÉFICE CRONICO criaram um clima artificial neste País. Mas, os problemas de fundo são : produtividade, competitividade, excesso de importações de energia e de alimentos.
Como sair disto ?
Dizer a Verdade ao País, Mudar de Vida ( Paradigma) , Apostar na Mudança através de Reformas Concretas , Apostar em 4 ou 5 Grandes Sectores ( Quem abraça muito abraça mal) e Informar o Pais regularmente com realismo e verdade sobre os progressos efectivos alcançados. Confiança sim ! Mas fundamentada e realista ! Basta de fantasias !
Num país onde o estado é dono de mais de metade da economia é mais que óbvia a responsabilidade do governo no crescimento (neste caso recessão) e no emprego (neste caso desemprego). Quem manda em mais de metade da riqueza e tem uma forte influência na restante metade não pode em tempos de crise vir clamar por irresponsabilidade em matéria económica.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Com um PECzinho à espera da tempestade




Para evitar sofrer o mesmo destino da Grécia, Portugal, cuja situação não é assim tão diferente, aprovou um plano de austeridade com o fim de relançar a economia. E os portugueses parecem resignados a um período de vacas magras. Perante o ataque dos mercados, o Governo socialista de José Sócrates apresentou em Bruxelas um Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), cujo objectivo é reduzir o défice público.
Assim a partir de dia 01 de Julho, o IVA subiu um ponto percentual em todos os escalões que passam a ser de 6%, 13% e 21%.O IRS já tinha subido. Também o IRC das empresas com lucro tributável superior a dois milhões de euros aumenta 2,5 pontos percentuais. As autarquias também vêm reduzidas as suas transferências do Orçamento de Estado (No caso de Estremoz, o Município vê reduzida a sua transferência em cerca de 300.000€, até ao final deste ano).
Com estes agravamentos começa um novo ciclo de aperto do cinto que ameaça ser longo, vários especialistas apontam para toda esta década, que agora se iniciou, e que, até se irá agravar, quanto mais não seja por via das subidas das taxas de juro e do preço dos combustíveis. Em tempo de crise a necessidade de sacrifícios é uma forma de nos acordar a todos para a dura realidade de um País e de moralizar uma situação em que todos, Estado, autarquias, empresas e cidadãos, têm vivido muito, acima das suas possibilidades.
Por isso apelido este Plano de Estabilidade e Crescimento de "PECzinho", pois tenho como certo que outros de maior dimensão estão para vir.
Mas, qual é o problema de Portugal? "A reduzida produtividade, que se traduz num crescimento muito baixo", respondem analistas e empresários. De facto, o crescimento da economia portuguesa tem sido praticamente nulo nos últimos anos e qualificou-se como o mais baixo da zona, desde que aderiu ao euro.
No mercado interno, a presença de uma pesada burocracia, que em grande parte marca o ritmo do país, travou os impulsos inovadores, apesar de o país contar com uma forte indústria de energias renováveis. Além disso, Portugal foi bastante prejudicado com o alargamento da União Europeia a Leste e com a entrada em cena de países como a China, porque os salários baixos destes novos intervenientes afectaram as nossas exportações.
Os fundos estruturais disponibilizados pela União Europeia foram utilizados para melhorar as infra-estruturas e não para reforçar a indústria. A soma destes factores teve consequências negativas. Ao fim de muitos anos de uma economia assente nos baixos custos da mão-de-obra, o aumento dos salários acima da produtividade levou a que os custos laborais unitários portugueses fossem superiores aos alemães. Foi sobre esse universo estático que se abateu o tsunami da elevada liquidez na zona euro, resultante dos juros baixos oferecidos pelo Banco Central Europeu (BCE).
Resultado? Um país com trabalhadores que estavam a perder competitividade, protegidos por normas laborais muito rígidas, decidiu endividar-se até às orelhas, devido às facilidades de crédito. Assim, a dívida das famílias atingiu os 100% do PIB e a das empresas os 140%. Somando-as ao endividamento público, a dívida portuguesa ultrapassa os 300% do PIB. Com uma agravante: uma vez que esse endividamento não se baseava no crescimento interno, o endividamento verificou-se fundamentalmente perante o exterior.
E assim, imperceptivelmente, Portugal aumentou a sua vulnerabilidade face aos mercados financeiros internacionais. Estes interrogam-se sobre como pode um país com baixo crescimento e pouca competitividade dever tanto dinheiro.
Curiosamente, em Portugal, este tipo de questões e de propostas não provoca grandes traumas, depois de uma década de crescimento quase nulo e de vivermos eternamente em crise. Na terra do fado, há reservas infinitas de paciência!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Esgotamento do Modelo Português




“A economia é a ciência dos recursos escassos e é em momentos de crise, como este, que mais se faz sentir a necessidade de estudar devidamente a sociedade de um país, para poder indicar caminhos para a sua economia progredir. “
A economia portuguesa precisa desesperadamente de crescer. Só com mais crescimento se reduz o desemprego e se ultrapassa a crise do endividamento externo. Mas para crescer, a economia portuguesa precisa melhorar drasticamente a sua produtividade, isto é, produzir mais com o mesmo numero de pessoas, introduzindo novas tecnologias e novas formas de gestão.
Quem quer que estude a economia portuguesa nos dias de hoje, facilmente conclui que existe um excesso de peso do Estado na economia, sendo precisamente, esse, um dos maiores problemas: a baixa produtividade do sector público.
O Estado consome demasiados recursos para aquilo que nos oferece, sujeitando as empresas e as famílias a uma combinação pouco atractiva entre a brutalidade dos impostos cobrados e em contrapartida a qualidade dos serviços públicos que presta.
Tal ineficiência contribui de forma decisiva para a baixa competitividade da economia em geral, constituindo por conseguinte uma barreira importante ao investimento e à inovação e consequentemente um entrave ao crescimento da economia.
A presente situação do Pais não é compatível com este estado de coisas. Num contexto em que os investidores se refugiam em activos de maior qualidade, os receios quanto à solvabilidade da República Portuguesa têm-se abatido implacavelmente sobre as oportunidades de financiamento de todos os agentes económicos do país, incluindo o Estado, as empresas públicas, as empresas privadas e as famílias.
À partida, as actuais restrições no acesso ao crédito externo deveriam proporcionar incentivos suficientes para o Estado eliminar o seu excesso de gordura. Nas empresas, pelo menos, assim tende a acontecer: quando a procura cai e as condições de financiamento se agravam, as empresas não tem alternativa senão responder com a contenção de custos. A racionalização das operações, a eliminação de despesas luxuosas, o fecho de áreas de negócios menos interessantes, a renegociação de contratos e a redução do número de efectivos são formas típicas de as empresas adquirirem, em tempos de crise, a competitividade necessária para continuarem em frente.
Ora com o Estado, isso nunca acontece. Como o Estado tem o poder coercivo de cobrar impostos, pode optar por enfrentar a quebra das receitas com o aumento das taxas de imposto, em lugar de combater a ineficiência, o despesismo, e o desperdício.
De facto o tal modelo antigo da economia portuguesa, que agora se teria esgotado, nunca existiu. A sociedade deste país só evoluiu em resposta a impactos externos. Já era assim no tempo das viagens para a Índia, do comércio de escravos, do ouro do Brasil, da entrada na CEE, dos fundos comunitários e continuou a ser assim nos últimos 25 anos.
E agora, seremos capazes de fixar objectivos para a economia portuguesa e atingi-los, sem serem impostos de fora?
Fixar objectivos implica fazer escolhas, o que implica prejudicar os interesses de alguns grupos da nossa sociedade, coisa que os políticos portugueses, que governam por sondagens, não têm conseguido fazer.
Estaremos condenados a esperar que sejam as entidades externas (União Europeia ou Fundo Monetário Internacional) a obrigar-nos a evoluir no sentido certo?
Cada vez mais estou convencido que sim!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O "PECzinho"


A partir de hoje, o IVA sobe um ponto percentual em todos os escalões que passam a ser de 6%, 13% e 21%.O IRS já tinha subido.Também o IRC das empresas com lucro tributável superior a dois milhões de euros aumenta 2,5 pontos percentuais.As autarquias tambem vêm reduzidas as suas transferencias do Orçamento de Estado. Com estes agravamentos começa um novo ciclo de aperto do cinto que ameaça ser longo,vários especialistas apontam para toda esta década , que agora se iniciou ,e que,até se irá agravar, quanto mais não seja por via das subidas das taxas de juro e do preço dos combustíveis. Em tempo de crise a necessidade de sacrifícios é uma forma de nos acordar a todos para a dura realidade de um País e de moralizar uma situação em que todos, Estado,autarquias, empresas e cidadãos, têm vivido muito,acima das suas possibilidades.Por isso apelido este Plano de Estabilidade e Crescimento de "PECzinho" , pois tenho como certo que outros de maior dimensão estão para vir.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Inevitabilidade do €uro



“Se a actual crise do euro não significar o fim da moeda única, andará lá perto. Pelo menos, representará o último capítulo de uma fase de lançamento cheia de promessas mas, também, de ilusões, imprudência e riscos subestimados.”
Esta frase proferida por um reputado economista europeu, reflecte bem o grau de incerteza e de descrença a que se chegou, relativamente ao futuro da moeda única europeia.
O leitor de certo já se interrogou várias vezes desde o seu aparecimento:
Que vantagens trouxe o euro para Portugal?
Ao aderir ao euro em 1999, Portugal aderiu a uma união monetária de moeda forte, dirigida por um banco (Banco Central Europeu) controlado pela Alemanha, como país motor da economia da zona euro, deixando os países aderentes a partir dessa data, de terem controlo efectivo sobre a política monetária e cambial dos seus países, e consequentemente, deixando de poder controlar a emissão de moeda, as taxas de juro e a taxa cambial.
A adesão significava também, a abertura de novos mercados e a simplificação das transacções entre países.
Perdeu-se soberania; Ganhou-se mercado.
De imediato, Portugal beneficiou de taxas de juro baixas e de uma moeda forte.
Em contrapartida, Portugal deveria tornar-se mais competitivo, modernizar a sua economia e aumentar as exportações, tornando-se menos dependente do exterior.
Mas falhámos!
Passada uma década desde a adesão ao euro, Portugal não conseguiu tornar-se competitivo. Continuamos a comprar muito mais ao estrangeiro do que aquilo que lhes vendemos. O euro como moeda forte contribuiu para este problema, pois a relação cambial encarece o que exportamos, e logo, dificulta a vida às empresas exportadoras, tornando mais barato o que importamos, o que nos torna mais dependentes do exterior, mais endividados, e logicamente mais pobres.
Só temos um caminho! Apostar na produção nacional e no sector exportador.
Invertermos a tendência! Vender mais ao exterior, e em contrapartida comprar menos.
Os apoios e investimentos públicos devem concentrar-se nas exportações, investindo nos chamados bens transaccionáveis (que se vendem nos mercados internacionais).
Devemos abandonar a política da obra pública de fachada, do betão, dos projectos megalómanos, que não geram riqueza, mas sim encargos para as gerações futuras.
Passada uma década, começa a falar-se demasiado no fim do euro.
Para além dos eurocépticos que nunca quiseram embarcar no euro, também os europeístas convictos por um lado e os subsídios dependentes de países como o nosso, por outro lado, estão muito desiludidos com a moeda única.
Mas sair, causaria uma turbulência financeira de consequências inimagináveis.
Imagino que teríamos um choque brutal e imediato de desvalorização monetária, porque de certo não iríamos retomar o escudo com o valor com que o deixámos em 1999, e por isso, tudo nos sairia mais caro, inclusivamente a dívida externa que deveria aumentar na proporção directa da desvalorização da nossa moeda.
Ficaríamos então ainda mais pobres e mais endividados.
Perante a inevitabilidade do euro, o caminho a seguir é estreito, mas passa seguramente por trabalhar com mais produtividade e consumir com menos endividamento.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O Sonho Português


“Certa ocasião um banqueiro português recebeu um cliente a quem não queria dar crédito mas a quem não podia também dizer que não. Convidou-o então para dar um passeio pela baixa lisboeta. Regressados ao banco, disse-lhe: "eu não lhe empresto o dinheiro mas, depois de termos sido vistos juntos, qualquer um dos meus colegas o vai financiar.”•

Na última crónica abordei a crise do Subprime que teve o seu inicio nos EUA em 2007 e se propagou a todo o mundo em 2008.Portugal como economia aberta e muito exposta ao exterior, não ficou imune a todos estes acontecimentos e a crise financeira bateu também à nossa porta
Mas a pergunta que podemos fazer é se nós não contribuímos também para este estado de coisas? Se estamos isentos de culpas?
Pois é caro leitor; Portugal também não ficou imune a essa loucura desenfreada do crédito fácil. A pequena historia que se conta no inicio da crónica, diz-se, teve lugar na década de 80 do século passado. Do conservadorismo financeiro retratado então, passou-se para a vertigem do crédito e do consumo.
Quem de nós não foi contactado por carta ou por telefone por uma qualquer instituição financeira com a oferta de um crédito para "realizar o seu sonho".
Como tivemos de resistir - muitos não conseguiram (a maioria) - à oferta de crédito fácil para comprar casa (se já tínhamos uma devíamos comprar uma 2ªhabitação para casa de férias); para comprar acções e fundos de empresas que iriam sempre valorizar; para cartões de crédito, muitos e variados, para comprarmos computadores e ir-mos de férias para destinos paradisíacos.
Enfim, o”Sonho Português”.


Todos se deixaram embalar pela ilusão de um mundo de crédito sem factura. "Se os bancos nos emprestam é porque não há problema, eles sabem o que estão a fazer", diziam os cidadãos. "Se as pessoas aceitam o crédito é porque podem pagar, elas sabem o que andam a fazer", diziam os banqueiros, os reguladores e até os políticos.

Mas, afinal, ninguém sabia o que andava a fazer.
O problema é que nos habituámos a gastar um dinheiro que não tínhamos.
De exibir uma riqueza que não produzíamos.
O cidadão pedia emprestado ao banco; O banco pedia emprestado aos mercados financeiros internacionais e assim fomos caminhando alegremente até aos dias de hoje, quando de repente acordamos do sonho e pensamos no pesadelo.
Há cerca de uma década, que em Portugal se estava a ir longe de mais na concessão de crédito. Vários especialistas alertaram que o País estava endividado; recomendavam que se pusesse um travão na concessão de créditos, e muitas foram as vozes que avisaram que se estava a fazer um perigoso negócio de exploração do analfabetismo financeiro dos portugueses, sob a máscara do valor da liberdade individual.
Num mundo globalizado e turbulento, em que já ninguém confia em ninguém, a banca e as instituições financeiras internacionais, os chamados “Mercados”, olham para Portugal com desconfiança.
Olham para as nossas instituições públicas, para as nossas instituições financeiras, para as nossas empresas e para as nossas famílias e interrogam-se:
Como vão pagar o que nos devem?
Caro leitor, não desanime, não era essa a minha intenção, irei continuar em próximas crónicas a abordar estes temas, e talvez consiga abrir janelas de esperança, que nos ajudem a encontrar o caminho.


Publicado tambem no jornal ECOS , edição de 04/06/2010

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Eixo do Mal

Vejam este video exibido no programa da sic " eixo do mal "

Delicioso

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Cobria a cara de vergonha e fazia as malas


Não resisto a deixar o link para um artigo de opinião, de Jorge Fiel , no Diário de Noticias.

Escrito de uma forma vigorosa, faz-nos sentir como se tivéssemos levado um murro no estômago,que nos desperta para uma triste realidade :

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Crise do SubPrime


A crise financeira que se abateu por todo o mundo em 2008, e que foi apelidada da maior crise desde a Grande Depressão de 1929, teve o seu inicio nos Estados Unidos da América com a designação da crise do Subprime.
De uma forma didáctica, vamos usar como exemplo a história fictícia de Ted, um típico americano de classe média, e um consumista desenfreado:
Ted, comprou casa para habitação própria, no começo dos anos 90 por 200.000 dólares pedindo para o efeito um empréstimo bancário a 30 anos.
Com a valorização imobiliária nos anos seguintes, em 2006 a casa de Ted tinha valorizado e foi avaliada em 1 milhão de dólares.
Mesmo ainda faltando cerca de 15 anos para pagar o empréstimo, o banco perguntou se ele queria um financiamento de 800.000 dólares, ou seja, uma segunda hipoteca, sobre a sua casa.
Ted não precisava do dinheiro, tinha um emprego estável, morava numa simpática casa no subúrbio de uma grande cidade, mas como todo o americano, não podia ouvir a palavra crédito. Ele aceitou o empréstimo, fez a nova hipoteca e ficou com os 800.000 dólares.
Com o dinheiro na conta, Ted ia sendo informado pelo seu gestor bancário que o mercado imobiliário continuava a valorizar fortemente.
Ted foi então aconselhado a investir no ramo imobiliário e decidiu comprar 3 casas em construção, na parte mais nobre da cidade, dando como entrada 300.000 dólares e contraindo novos empréstimos para concluir essas casas.
A diferença, 500.000 dólares, que Ted tinha recebido do banco, gastou em novos carros para ele e para a esposa, em novas mobílias, plasmas, viagens e por fim uma cirurgia plástica para a esposa.
Ted era o sonho americano em forma de pessoa, só havia um problema, toda a gente estava a ter a mesma ideia.
No começo de 2007 começaram a correr boatos que os preços das casas estavam a cair. Ai aconteceu o que muitos temiam, a chamada Bolha Imobiliária “estourou”.
As casas que Ted tinha comprado e estavam em fase final de construção caíram vertiginosamente de preço e as taxas de juro das hipotecas que pagava começaram a subir astronomicamente. Os compradores desapareceram. Ted começou a não poder pagar aos bancos os empréstimos das casas.
Os bancos começaram então a ficar sem receber de milhões de especuladores iguais ao Ted e tiveram que executar as hipotecas.
Ted, teve de entregar aos bancos as 3 casas que comprou como investimento perdendo tudo o que tinha investido, e ainda ficando a dever muito dinheiro.
Os bancos que entretanto haviam transformado os empréstimos de milhões de Ted’s em Títulos Negociáveis, que estavam disseminados por todo o sistema financeiro de todo o mundo, de um momento para o outro ficaram com títulos sem valor nos seus activos sendo apelidados de Títulos Tóxicos. Os imóveis eram as garantias dos empréstimos, mas esses empréstimos foram feitos e baseados num preço que esses imóveis não valiam mais.
A farra do crédito fácil acabou, enfim. Os bancos pararam de emprestar por medo de não receber e os Ted`s tiveram de parar de consumir porque não tinham crédito.
E você leitor? Quantos Ted’s conhece?