Pesquisar neste blogue

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Esgotamento do Modelo Português




“A economia é a ciência dos recursos escassos e é em momentos de crise, como este, que mais se faz sentir a necessidade de estudar devidamente a sociedade de um país, para poder indicar caminhos para a sua economia progredir. “
A economia portuguesa precisa desesperadamente de crescer. Só com mais crescimento se reduz o desemprego e se ultrapassa a crise do endividamento externo. Mas para crescer, a economia portuguesa precisa melhorar drasticamente a sua produtividade, isto é, produzir mais com o mesmo numero de pessoas, introduzindo novas tecnologias e novas formas de gestão.
Quem quer que estude a economia portuguesa nos dias de hoje, facilmente conclui que existe um excesso de peso do Estado na economia, sendo precisamente, esse, um dos maiores problemas: a baixa produtividade do sector público.
O Estado consome demasiados recursos para aquilo que nos oferece, sujeitando as empresas e as famílias a uma combinação pouco atractiva entre a brutalidade dos impostos cobrados e em contrapartida a qualidade dos serviços públicos que presta.
Tal ineficiência contribui de forma decisiva para a baixa competitividade da economia em geral, constituindo por conseguinte uma barreira importante ao investimento e à inovação e consequentemente um entrave ao crescimento da economia.
A presente situação do Pais não é compatível com este estado de coisas. Num contexto em que os investidores se refugiam em activos de maior qualidade, os receios quanto à solvabilidade da República Portuguesa têm-se abatido implacavelmente sobre as oportunidades de financiamento de todos os agentes económicos do país, incluindo o Estado, as empresas públicas, as empresas privadas e as famílias.
À partida, as actuais restrições no acesso ao crédito externo deveriam proporcionar incentivos suficientes para o Estado eliminar o seu excesso de gordura. Nas empresas, pelo menos, assim tende a acontecer: quando a procura cai e as condições de financiamento se agravam, as empresas não tem alternativa senão responder com a contenção de custos. A racionalização das operações, a eliminação de despesas luxuosas, o fecho de áreas de negócios menos interessantes, a renegociação de contratos e a redução do número de efectivos são formas típicas de as empresas adquirirem, em tempos de crise, a competitividade necessária para continuarem em frente.
Ora com o Estado, isso nunca acontece. Como o Estado tem o poder coercivo de cobrar impostos, pode optar por enfrentar a quebra das receitas com o aumento das taxas de imposto, em lugar de combater a ineficiência, o despesismo, e o desperdício.
De facto o tal modelo antigo da economia portuguesa, que agora se teria esgotado, nunca existiu. A sociedade deste país só evoluiu em resposta a impactos externos. Já era assim no tempo das viagens para a Índia, do comércio de escravos, do ouro do Brasil, da entrada na CEE, dos fundos comunitários e continuou a ser assim nos últimos 25 anos.
E agora, seremos capazes de fixar objectivos para a economia portuguesa e atingi-los, sem serem impostos de fora?
Fixar objectivos implica fazer escolhas, o que implica prejudicar os interesses de alguns grupos da nossa sociedade, coisa que os políticos portugueses, que governam por sondagens, não têm conseguido fazer.
Estaremos condenados a esperar que sejam as entidades externas (União Europeia ou Fundo Monetário Internacional) a obrigar-nos a evoluir no sentido certo?
Cada vez mais estou convencido que sim!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O "PECzinho"


A partir de hoje, o IVA sobe um ponto percentual em todos os escalões que passam a ser de 6%, 13% e 21%.O IRS já tinha subido.Também o IRC das empresas com lucro tributável superior a dois milhões de euros aumenta 2,5 pontos percentuais.As autarquias tambem vêm reduzidas as suas transferencias do Orçamento de Estado. Com estes agravamentos começa um novo ciclo de aperto do cinto que ameaça ser longo,vários especialistas apontam para toda esta década , que agora se iniciou ,e que,até se irá agravar, quanto mais não seja por via das subidas das taxas de juro e do preço dos combustíveis. Em tempo de crise a necessidade de sacrifícios é uma forma de nos acordar a todos para a dura realidade de um País e de moralizar uma situação em que todos, Estado,autarquias, empresas e cidadãos, têm vivido muito,acima das suas possibilidades.Por isso apelido este Plano de Estabilidade e Crescimento de "PECzinho" , pois tenho como certo que outros de maior dimensão estão para vir.