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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A Economia Portuguesa tem 3 graves problemas


Regressados de férias , retomamos os temas que são a finalidade deste Economês Descomplicado.
Gostaria de vos trazer boas novas , mas infelismente , não posso , pois não me querendo incluir na categoria dos Pessimistas , tambem não posso partilhar a visão dos Optimistas ( Em numero cada vez menor , diga-se de passagem ) , preferindo posicionar-me do lado dos Realistas.
A Economia Portuguesa tem 3 graves problemas , a saber :
1º – Défice das Finanças Publicas
2º – Endividamento Externo Galopante
3º – Baixissimo Crescimento Económico
Portugal tem um problema grave de finanças públicas. Depois da maior crise de que há memória, e das medidas para a contrariar, ficámos com um défice insuportável que o actual plano de austeridade vai procurar corrigir. Os sacrifícios vão ser enormes. Mas já se sabe que, a seguir ao défice, vem a dívida acumulada, com números de arrepiar. O que só pode traduzir-se por sacrifícios adicionais - sabe-se lá até quando!
Portugal tem outro problema grave de endividamento externo. Fruto de uma atitude suicida que percorreu vários governos, fomo-nos habituando a gastar o que tínhamos e o que não tínhamos até descambarmos neste inferno: já devemos mais do que a nossa própria produção! Mas nem assim arrepiámos caminho.
Portugal tem um terceiro problema, o mais grave de todos, ligado à anemia económica e à falta de emprego. A última década foi de uma extrema crueldade: crescemos a um ritmo anual inferior a 1%, quando precisávamos de três vezes mais; afundámo-nos em produtividade e em competitividade externa; e a taxa de desemprego pulou de uns confortáveis 4% para mais de 10%. Ou seja, o Estado social faliu.
Há dez milhões de portugueses que têm uma solução para a crise em que vivemos e, de entre eles, umas tantas dezenas dizem-no e escrevem-no todos os dias: a solução está no crescimento económico. Houvesse crescimento económico e tudo estaria bem - os salários e o emprego, os subsídios e as pensões, os défices e as dívidas, a educação e a justiça, a saúde e o bem-estar. Se sabemos isso tudo, por que não fazemos nada?
É este o nosso mundo. Um mundo de paradoxos. O endividamento louco a que chegáramos, e que os credores nos obrigaram a travar, não nos deixava alternativa: precisávamos de um plano de austeridade duríssimo, em que os sacrificados só poderiam ser o consumo e o investimento. Até aqui, tudo bem. Mas sucede que são estes cortes no consumo e no investimento que, ao travarem a procura interna, hoje nos impedem de crescer. Como é que se sai disto?
Aqueles que escamotearam o peso da DIVIDA EXTERNA e a gravidade do DÉFICE CRONICO criaram um clima artificial neste País. Mas, os problemas de fundo são : produtividade, competitividade, excesso de importações de energia e de alimentos.
Como sair disto ?
Dizer a Verdade ao País, Mudar de Vida ( Paradigma) , Apostar na Mudança através de Reformas Concretas , Apostar em 4 ou 5 Grandes Sectores ( Quem abraça muito abraça mal) e Informar o Pais regularmente com realismo e verdade sobre os progressos efectivos alcançados. Confiança sim ! Mas fundamentada e realista ! Basta de fantasias !
Num país onde o estado é dono de mais de metade da economia é mais que óbvia a responsabilidade do governo no crescimento (neste caso recessão) e no emprego (neste caso desemprego). Quem manda em mais de metade da riqueza e tem uma forte influência na restante metade não pode em tempos de crise vir clamar por irresponsabilidade em matéria económica.