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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O buraco


Portugal está metido num grande buraco. Ou melhor, em dois buracos; Um é economicamente conjuntural, o outro é estrutural.
Conjunturalmente trata-se de um problema de financiamento. Devemos muito dinheiro aos financiadores estrangeiros. Necessitamos que o exterior continue a financiar-nos para que os portugueses possam comer. Hoje em dia pedimos dinheiro emprestado para manter a máquina. Para pagar os ordenados, as pensões e os subsídios. Se a torneira fechar passamos todos um mau bocado. Por isso neste momento, temos de acatar as orientações que nos impõem, pois caso contrário, o país pára. Com FMI ou sem FMI as receitas para fugir deste sufoco, são as mesmas; Consumir e Endividar menos, Produzir e Poupar mais, são regras necessárias para fugir do precipício.
Mas nem o Orçamento de 2011, nem o FMI vão resolver o buraco estrutural. A economia portuguesa estará, no melhor cenário possível, estagnada até 2020. Andam por aí umas almas a falar que estaremos já em recuperação em 2012 ou 2013. Mentem. Não é optimismo, é mentira pura e dura. Portugal só pode sair do buraco estrutural depois de mudar muita coisa na economia e na sociedade. Mas sejamos sinceros. Sócrates não fez as reformas que a economia portuguesa exigia porque os portugueses, na sua ampla maioria, não querem mudar nada. O pouco que se tentou fazer na educação, na saúde, na justiça ou na administração pública foi recusado pelos portugueses, foi criticado de forma irresponsável e demagógica.
Se os partidos políticos fossem realmente sérios, se o actual regime democrático não estivesse totalmente capturado e dominado pelos interesses corporativos instalados, se a comunicação social fosse realmente crítica e fizesse o trabalho de casa, se a sociedade civil existisse e fosse activa, nas próximas eleições legislativas teríamos os candidatos a primeiro-ministro, não a fazer promessas inúteis, mas sim a responder a problemas concretos: Quantos ministérios e direcções gerais vão ser extintas? Quando vamos extinguir os governos civis? Quantos funcionários públicos vão ser afastados? Quantos institutos públicos, fundações e empresas públicas vão ser encerradas? Quantos municípios vão ser fundidos? Quantas freguesias vão ser eliminadas?


A Assembleia Municipal de Estremoz vai aprovar na próxima semana um documento de importância fundamental para a gestão dos destinos do Concelho: As Grandes Opções do Plano e Orçamento do Município para 2011.
Espero que os responsáveis políticos locais, entendam o momento em que vivemos e aprovem um documento realista e verdadeiro, em que as receitas previstas sejam realmente cobradas e em que as despesas orçamentadas sejam efectivamente pagas, pois de outra forma estarão a enganar os munícipes, a endividar o Município e a hipotecar o futuro do concelho, esperando, quem sabe, que um dia, um qualquer “FMI” nos venha “ salvar “.
Nas próximas edições irei dedicar-me à análise detalhada deste Documento entretanto aprovado.

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