Pesquisar neste blogue

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A partidocracia



A partidocracia que governou Portugal nos últimos 35 anos , e que nos levou ao buracão em que estamos metidos, tem os mais básicos instintos de sobrevivência. É para todos evidente (menos para os mesmo de sempre) que a grave situação económica e social vai desafiar os fundamentos mais básicos do regime. Não se trata de duvidar da democracia ou de regressar ao autoritarismo do Estado Novo mas o regime actual político é apenas umas das muitas formas de democracia que podemos ter. E esta forma de partidocracia semi-presidencial feita à medida está esgotada. Fracassou. Não soube aproveitar as oportunidades históricas que teve, desbaratou os recursos disponíveis, vendeu ilusões e propaganda, criou um pântano imenso em que andamos atolados desde a década de 90, e agora apenas pode oferecer estagnação económica para, pelo menos, outra década.
Para sobreviver, o regime procura encontrar culpados, um puro bode expiatório que salve a elite governante da década muito dura que Portugal tem pela sua frente.
Por mais responsabilidades e culpas que tenha o actual primeiro-ministro (e são imensas) no desastre económico e financeiro, na ausência de reformas estruturais, na manutenção do corporativismo que infesta o Estado português, nas ligações perigosas e perversas entre o mundo político e o mundo empresarial, Portugal só pode em sonhar sair do buracão em que está metido depois de uma profunda reforma do regime político e uma importante regeneração da nomenclatura partidária.


Tal como referi na última crónica foi aprovado em Assembleia Municipal as Grandes Opções do Plano e Orçamento do Município de Estremoz para 2011.
Numa análise rápida chamou-me à atenção a componente da Receita prevista que apresenta um valor global estimado de € 27 Milhões.
Depois de olhar em pormenor encontro 2 rubricas que me intrigam, tanto pela natureza como pelo montante envolvido: Venda de Terrenos e Rendas, que no seu conjunto perfazem um total de€ 8,2 Milhões.
Que Terrenos irá o Município vender e que Rendas irá cobrar num montante tão elevado?
Ou serão apenas verbas inscritas para poder aumentar a Despesa Orçamentada e inflacionar um Orçamento que na realidade não deveria ultrapassar os € 18 Milhões?
Continuar a apostar numa política de endividamento descontrolado, trará num futuro próximo consequências graves para o Município, e espanta-me que nem a preocupante situação económica do Pais, demova os dirigentes políticos locais de continuar a insistir num modelo que caminha rapidamente para um final pouco feliz.

Sem comentários:

Enviar um comentário