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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O tempo está cinzento e o país está chato.



A maioria das pessoas não tem mais paciência para saber se o FMI vem ou não vem, se a taxa de juro sobe ou desce ou se a catástrofe está iminente ou nos safámos desta, nada de realmente excitante acontece. Portugal está entorpecido à espera que o tempo passe. Mais uma vez já que este é um fado recorrente.
As presidenciais também não animam. A explicação é simples. Nenhum dos candidatos é do nosso tempo. Vêm todos do passado e para lá nos puxam. Os debates são desoladores. Cavaco explica que não pode fazer nada por causa das limitações do cargo; os outros explicam o que fariam se fossem primeiros-ministros. O interesse é nulo, a abstenção será grande e Cavaco já ganhou, não por ser o melhor, mas por ser o menos mau.
E, no entanto, há tanta coisa em que se podia ocupar este momento de tédio. Ainda recentemente li um artigo muito interessante sobre o futuro das cidades. O autor considera que a competitividade das cidades assenta cada vez mais nas suas condições de mobilidade. Mais e novos meios de transportes são fundamentais para diminuir radicalmente a dependência do automóvel, do espaço totalitário que ocupam e da energia poluente que consomem. As cidades cresceram à volta das vias rodoviárias, dando primazia aos veículos e nunca aos cidadãos. Está na hora de mudar de paradigma. Agora que tanto se fala de renovação urbana, como contributo para a superação da crise, talvez não fosse má ideia pensar também em novas formas de circular, combinando os meios físicos e as plataformas digitais. Tanto mais que muita da economia do futuro vai também passar por aí. A mobilidade é um grande negócio, a par de grande serviço público, que está por descobrir e montar.
Enfim, a cada momento da história está tudo por fazer. Só que a maioria perde-se em discursos e lamentações, enquanto uns poucos se empenham na difícil, mas muito gratificante, tarefa da realização transformadora. É desses que fica a marca.

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